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Palavras cruzadas melhoram a memória? Veja o que realmente ajuda a manter o cérebro ativo

há 4 horas
9 min de leitura

Você faz palavras cruzadas todos os dias para cuidar da sua memória? Talvez esteja na hora de olhar para isso de outra maneira.


Não porque palavras cruzadas sejam ruins. Muito pelo contrário. Elas podem ser prazerosas, despertar curiosidade, exigir atenção, estimular a busca por palavras e colocar alguns conhecimentos à prova.


O problema aparece quando transformamos uma única atividade em uma espécie de receita universal para manter o cérebro ativo.


É muito comum ouvir: “Faço palavras cruzadas todos os dias para exercitar a memória”.


Como gerontóloga, minha pergunta seria outra: o quanto essa atividade ainda desafia você?

Se você faz palavras cruzadas há anos, provavelmente ficou muito bom nisso. E isso é ótimo. Mas existe uma diferença importante entre fazer bem uma atividade que você já conhece e colocar o cérebro diante de estímulos novos, variados e progressivamente mais desafiadores.


Quando pensamos em exercícios para memória, essa diferença importa bastante.



Palavras cruzadas melhoram a memória?


A resposta mais adequada é: elas podem estimular algumas habilidades cognitivas, mas isso não significa que trabalhem o cérebro de forma completa.


Para resolver uma palavra cruzada, você precisa compreender pistas, acessar conhecimentos já adquiridos, buscar palavras no seu repertório e manter a atenção na tarefa. Dependendo do tipo de jogo, outras habilidades também podem entrar em cena.

Tudo isso é interessante.


Mas imagine uma pessoa que toca violão há 30 anos e sabe dez músicas de cor. Tocar essas dez músicas continua sendo uma atividade mental, motora e prazerosa. Mas aprender uma música nova, experimentar outro ritmo ou estudar um instrumento diferente provavelmente exige adaptações muito maiores.


Com o cérebro acontece algo parecido.


Quanto mais familiar uma tarefa se torna, mais eficiente tendemos a ficar em executá-la. Por isso, uma boa proposta de estimulação cognitiva não deveria se limitar à repetição do que a pessoa já sabe fazer bem.


A pergunta deixa de ser apenas “essa atividade usa o cérebro?” e passa a ser:

“De que maneira estou desafiando meu cérebro hoje?”


O cérebro não tem uma única habilidade chamada “memória”


Quando alguém diz que quer “melhorar a memória”, normalmente está reunindo diferentes situações em uma mesma palavra.


Esquecer onde colocou uma chave é diferente de ter dificuldade para acompanhar uma conversa. Demorar para encontrar uma palavra é diferente de esquecer um compromisso. Perder o raciocínio durante uma tarefa também é diferente de não conseguir recordar o que aconteceu no fim de semana.


Nosso funcionamento cognitivo depende da interação de várias habilidades.


Memória de trabalho


É a capacidade de manter uma informação temporariamente na mente enquanto fazemos alguma coisa com ela.


Por exemplo, ouvir um número de telefone e mantê-lo na cabeça por alguns segundos até conseguir anotá-lo.


Atenção


É a capacidade de direcionar e sustentar o foco, além de selecionar aquilo que é relevante em meio a diferentes estímulos.


Muitas queixas interpretadas como “problemas de memória” começam, na verdade, no momento da atenção. Se uma informação não foi adequadamente registrada, será mais difícil recuperá-la depois.


Velocidade de processamento


É o ritmo com que conseguimos perceber uma informação, compreendê-la e responder a ela.


Isso não significa simplesmente “pensar rápido”. Significa conseguir lidar de maneira eficiente com aquilo que está acontecendo ao nosso redor.


Linguagem


Envolve compreender, encontrar e organizar palavras, nomear objetos, construir frases e comunicar ideias.


Uma palavra cruzada, por exemplo, pode exigir bastante dessa habilidade.


Funções executivas


São habilidades que usamos para planejar, organizar, tomar decisões, resolver problemas, mudar de estratégia e controlar impulsos.


Elas entram em ação desde o planejamento de uma viagem até uma situação simples em que precisamos reorganizar o dia porque algo não saiu como esperado.


Raciocínio


É nossa capacidade de estabelecer relações, reconhecer padrões, interpretar situações e encontrar soluções.


Memória episódica


É a memória relacionada às nossas experiências e acontecimentos.

Lembrar de uma conversa recente, do que aconteceu ontem ou de uma viagem que fizemos são exemplos dessa memória.


Perceba, portanto, que uma única atividade dificilmente desafiará todas essas funções da mesma maneira.


É justamente por isso que bons exercícios para estimular o cérebro precisam variar.


Entretenimento cognitivo e estimulação cognitiva não são exatamente a mesma coisa


Existe outro ponto importante nessa conversa.


Sudoku, palavras cruzadas, quebra-cabeças, jogos de cartas e aplicativos podem ser ótimas formas de entretenimento cognitivo. Se você gosta deles, há bons motivos para continuar.


Uma proposta estruturada de estimulação cognitiva, porém, tem outra lógica.


Ela procura variar habilidades, modificar o tipo de desafio e evitar que a pessoa simplesmente repita aquilo que já domina.


Uma atividade pode exigir atenção hoje. Outra pode trabalhar planejamento. Uma terceira pode combinar linguagem e memória. Em outro momento, o desafio pode envolver raciocínio, aprendizagem ou flexibilidade para mudar de estratégia.


E existe um componente particularmente interessante: progressão.


Se uma atividade se torna muito fácil, ela pode precisar evoluir. Se é tão difícil que gera apenas frustração, talvez precise ser ajustada.


O desafio interessante costuma estar entre esses dois extremos.


Não é fazer algo impossível. Também não é repetir indefinidamente algo automático.

É continuar aprendendo.


Então devo parar de fazer palavras cruzadas?


Não.


Se você gosta de palavras cruzadas, continue fazendo.


Prazer também importa. Ter atividades de que gostamos, manter interesses e reservar momentos para aquilo que desperta curiosidade faz parte de uma vida cognitivamente rica.


O que precisamos questionar é outra coisa: palavras cruzadas não deveriam carregar sozinhas a responsabilidade de cuidar do seu cérebro.


Elas podem ser uma atividade para memória e linguagem dentro de uma rotina muito maior de estímulos.


O mesmo vale para sudoku, caça-palavras, quebra-cabeças e jogos digitais.


Em vez de perguntar “qual jogo devo fazer para não perder a memória?”, talvez uma pergunta mais interessante seja:


Minha rotina continua oferecendo oportunidades para aprender, pensar, decidir, conversar, me movimentar e enfrentar situações novas?


Essa pergunta muda bastante a conversa.


O que realmente pode ajudar a manter o cérebro ativo?


Quando falamos em como estimular a memória, gosto de ampliar o olhar.


O cérebro não existe isolado do restante da pessoa.


Sono, movimento, relações sociais, saúde cardiovascular, humor, curiosidade e participação na vida também fazem parte dessa história.


Por isso, cuidar da saúde cerebral pode envolver:

  • Aprender algo novo. Um idioma, um instrumento, uma tecnologia, uma receita, uma dança ou qualquer habilidade que tire você do automático.

  • Conversar e socializar. Uma boa conversa exige atenção, linguagem, interpretação, memória e capacidade de responder ao outro. É uma atividade cognitiva extremamente rica.

  • Movimentar o corpo. Atividade física e saúde cerebral estão profundamente relacionadas. Cuidar do cérebro também passa por cuidar do corpo.

  • Trabalhar diferentes funções cognitivas. Alternar desafios de atenção, linguagem, memória, raciocínio, planejamento e outras habilidades amplia a variedade de estímulos.

  • Sair da rotina. Não precisamos transformar todos os dias em uma aventura, mas pequenas novidades obrigam nosso cérebro a abandonar respostas automáticas.

  • Aprender novas habilidades. Ser iniciante novamente é desconfortável para algumas pessoas, mas cognitivamente muito interessante.

  • Dormir bem. O sono participa de processos importantes relacionados à aprendizagem, à atenção e à consolidação das memórias.

  • Cuidar da saúde cardiovascular. Pressão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo, sedentarismo e outros fatores que afetam os vasos sanguíneos também merecem atenção quando pensamos em saúde cerebral.

  • Manter propósito e participação social. Continuar tendo projetos, responsabilidades, relações e motivos para participar do mundo é parte importante de um envelhecimento saudável.


Percebe como a conversa ficou maior?


Saúde cerebral não acontece apenas diante de uma folha de palavras cruzadas.


Ela acontece também durante uma conversa interessante, enquanto você aprende algo que nunca fez, quando precisa resolver um problema, durante uma atividade física, ao conhecer alguém ou quando aceita o desafio de sair um pouco daquilo que já domina.


O problema não é a palavra cruzada. É achar que ela dá conta de tudo.


Talvez essa seja a principal mensagem deste texto.


Criamos uma ideia bastante confortável de exercício cerebral: basta encontrar o jogo certo e repeti-lo todos os dias.


Seria simples.


Mas nosso cérebro é complexo demais para caber em uma única atividade.


Se você é excelente em palavras cruzadas, continuar fazendo palavras cruzadas provavelmente ajudará você a continuar muito bom em palavras cruzadas. Isso não torna a atividade inútil. Só nos lembra que ser bom em uma tarefa específica não é exatamente a mesma coisa que desafiar amplamente diferentes capacidades cognitivas.


Por isso, quando pensamos em exercícios para memória, variedade importa.

Novidade importa.

Interação importa.

Dificuldade adequada importa.

Aprendizagem importa.


E a pessoa que está realizando aquelas atividades importa ainda mais.

Não existe cérebro separado de história, interesses, relações, corpo, emoções e rotina.


Essa é uma das razões pelas quais, na Gerontologia, gosto muito mais da pergunta “como essa pessoa está vivendo?” do que simplesmente “quantos exercícios de memória ela faz por semana?”.


Como trabalhamos memória na Nandarê


Nas aulas de memória da Nandarê, nossa proposta não é simplesmente entregar uma folha com exercícios para a pessoa resolver.


Queremos criar situações que mobilizem diferentes habilidades cognitivas.


Isso significa trabalhar memória, mas também atenção, linguagem, raciocínio, funções executivas, aprendizagem e outras capacidades, utilizando desafios variados.

Também valorizamos algo que frequentemente fica de fora quando se fala em exercícios para estimular o cérebro: a interação entre pessoas.


Conversar, ouvir diferentes respostas, explicar um raciocínio, construir algo em grupo, rir, discordar e aprender com outra pessoa são experiências cognitivamente muito mais complexas do que parecem.


Hoje, existem diferentes formas de participar dessa proposta.



Aulas de memória online e ao vivo pela NandaTV


Para quem prefere participar de casa, a NandaTV permite incluir as aulas de memória na rotina de forma online e ao vivo.


A proposta é justamente não transformar a experiência digital em uma atividade solitária. Existe horário, encontro, estímulo e interação.


É uma possibilidade especialmente interessante para quem quer começar a criar uma rotina de cuidados com a cognição sem precisar se deslocar.



Aulas presenciais de memória na Nandarê


Para quem valoriza o encontro presencial, temos nossas aulas de memória na Nandarê.

Além das atividades cognitivas, existe algo que consideramos fundamental: convivência.

A pessoa não chega, preenche uma folha e vai embora. Ela participa de uma experiência em grupo, conversa, aprende e é estimulada de diferentes maneiras.


Programa individual de memória


Algumas pessoas precisam ou simplesmente preferem um trabalho mais personalizado.

Nesses casos, o programa individual de memória permite organizar os estímulos considerando necessidades, objetivos e características daquela pessoa.

Porque personalização também significa reconhecer uma coisa simples: duas pessoas da mesma idade podem ter rotinas, habilidades, dificuldades, interesses e necessidades completamente diferentes.

E, portanto, talvez não faça sentido oferecer exatamente os mesmos exercícios para ambas.





Quando esquecer começa a preocupar


Esquecer faz parte da experiência humana.


Entrar em um cômodo e esquecer momentaneamente o que iria buscar, não lembrar imediatamente o nome de alguém ou ocasionalmente esquecer onde deixou um objeto pode acontecer com qualquer pessoa.


O ponto de atenção não costuma ser um episódio isolado.

O que merece investigação são mudanças persistentes ou progressivas, principalmente quando começam a interferir na rotina ou representam uma diferença clara em relação ao funcionamento habitual daquela pessoa.


Alguns exemplos são repetir frequentemente as mesmas perguntas sem perceber, esquecer compromissos importantes de maneira recorrente, apresentar dificuldade crescente para realizar tarefas que antes eram familiares, ter mudanças relevantes na linguagem ou demonstrar alterações importantes de atenção, orientação ou comportamento.

Nessas situações, fazer mais exercícios cognitivos por conta própria não deve substituir uma avaliação profissional.


Existem muitas razões pelas quais alguém pode perceber mudanças cognitivas, e nem todas significam uma doença neurodegenerativa. Sono inadequado, alterações de humor, medicamentos, condições clínicas e diversos outros fatores podem interferir no funcionamento cognitivo.


Por isso, perceber uma mudança importante é motivo para investigar, não para concluir sozinho o diagnóstico.


Exercitar o cérebro é continuar participando da vida


Talvez precisemos atualizar nossa imagem do que significa “exercitar a memória”.

Não precisa ser apenas sentar diante de uma atividade criada especificamente para isso.

Pode ser aprender a usar uma ferramenta nova.

Começar uma aula.

Conhecer pessoas.

Retomar um interesse.

Viajar para um lugar diferente.

Estudar um assunto que desperta curiosidade.

Ensinar algo que você sabe para outra pessoa.

Resolver um problema.

Movimentar o corpo.

Ou, sim, sentar tranquilamente depois do café e fazer sua palavra cruzada.

A diferença está em não deixar que ela seja o único desafio.


Cuidar da memória não deveria ser apenas tentar lembrar mais. É continuar aprendendo, pensando, criando, conversando e se desafiando.

Na Nandarê, acreditamos que estimular a cognição faz mais sentido quando enxergamos a pessoa inteira.

Se você quer começar a incluir exercícios para memória de maneira mais estruturada na sua rotina, conheça as aulas de memória online e ao vivo da NandaTV, as aulas presenciais de memória da Nandarê ou converse com nossa equipe sobre o programa individual de memória.

O melhor caminho não é necessariamente fazer mais exercícios.

Pode ser começar a oferecer ao seu cérebro desafios melhores.


Perguntas frequentes sobre exercícios para memória


Palavras cruzadas melhoram a memória?

Palavras cruzadas podem estimular habilidades como linguagem, atenção e acesso a conhecimentos já adquiridos. No entanto, fazer repetidamente uma atividade que você domina não significa necessariamente trabalhar todas as funções cognitivas. O ideal é combiná-las com diferentes tipos de estímulos, aprendizagem, atividade física e interação social.


Qual o melhor exercício para memória?

Não existe um único exercício considerado o melhor para todas as pessoas. Uma boa proposta procura variar os estímulos e trabalhar diferentes habilidades, como atenção, memória de trabalho, linguagem, raciocínio, velocidade de processamento e funções executivas. Atividades novas e com nível adequado de desafio tendem a ser mais interessantes do que simplesmente repetir sempre a mesma tarefa.


Como estimular a memória?

Uma rotina favorável à saúde cognitiva pode combinar exercícios estruturados com aprendizagem de novas habilidades, atividade física, interação social, sono adequado, controle de fatores cardiovasculares e atividades que tragam novidade e desafio. Estimular a memória não significa apenas realizar jogos cognitivos.


Jogos de memória realmente funcionam?

Jogos podem estimular determinadas habilidades e fazer parte de uma rotina cognitivamente ativa. O benefício, porém, depende do tipo de jogo, da frequência, do nível de dificuldade e das habilidades exigidas. Ficar muito bom em um jogo específico não significa necessariamente melhorar todas as funções cognitivas. Por isso, variedade e progressão são importantes.


Quando devo me preocupar com esquecimentos?

Esquecimentos ocasionais podem acontecer em qualquer fase da vida. É importante procurar avaliação quando as mudanças são persistentes, progressivas ou começam a interferir nas atividades habituais, como compromissos, tarefas financeiras, organização da rotina, comunicação ou orientação. Mudanças relevantes de memória, atenção, linguagem ou comportamento também merecem avaliação profissional.

 
 
 

1 comentário

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Cristina A M Ramirez
há 3 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

A Nandarê é a forma quase perfeita de nos comprometermos com nossa saúde geral. A equipe é atenciosa, comprometida e divertida! Tudo que foi relatado, acontece mesmo, é um projeto maravilhoso!

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